Bater na Justiça...
Muitas vezes bate-se nas pessoas e vamos dando uns "bitaites" sobre realidades que desconhecemos, mas que teimamos em nos "armar" em especialistas da matéria, é uma espécie de...desporto nacional.
A área da Justiça não foge à regra, esta na moda dizer mal, muitas vezes injustamente para quem todos os dias dá o "litro", muitas vezes em prejuízo da vida familiar, para que esta máquina não emperre em...armários!!!
A área da Justiça não foge à regra, esta na moda dizer mal, muitas vezes injustamente para quem todos os dias dá o "litro", muitas vezes em prejuízo da vida familiar, para que esta máquina não emperre em...armários!!!
Entrar no armário
Bater na Justiça, em Portugal, já se transformou numa espécie de desporto nacional não federado. Batem os políticos, batem os agentes da Justiça, batem aqueles que, anonimamente, e todos os dias, têm de confrontar-se com os caprichos e devaneios de uma máquina voraz que, como bem notava, recentemente, Marinho e Pinto, bastonário da Ordem dos Advogados, parece viver mergulhada na Idade das Trevas.
Entre a ingenuidade de acreditar que há uma justiça igualitária, que não discrimina em função da condição social e do capital de influência de quem se senta no banco dos réus e a recorrente contenda sobre a ténue fronteira que separa o universo judicial do da política (caldinho regado por juízes arvorados em super-heróis e políticos que se pintam de coitadinhos) há uma dimensão terrena que, não raras vezes, nos escapa.
Falo das coisas de todos os dias, de não haver funcionários, de não haver computadores, de não haver cadeiras nas salas de espera, de não haver respeito pelos horários e pela vida de quem se desloca a um tribunal. De não haver, enfim, armários para guardar os processos.
Pois é esse precisamente um dos aspectos peculiares do julgamento do caso BPN, tão-só o mais importante processo de crimininalidade económica ocorrido em Portugal. Não há armários para guardar os 70 volumes e os 700 apensos do processo numa área de fácil acesso aos intervenientes do caso, o que permitiria uma consulta mais célere e uma óbvia agilização no desenlace do julgamento.
A alternativa é esta: de cada vez que uma das partes quer consultar um calhamaço, é obrigada a deslocar-se a outro andar, ao arquivo geral, o que significa interromper a audiência durante, pelo menos, meia hora. De sublinhar que toda esta rábula tem como pano de fundo o Campus da Justiça, esse monumento envidraçado à modernidade.
E, afinal, o que pediu Luís Ribeiro, o juiz-presidente? Pediu 180 armários novos para instalar na sala de audiência e a ajuda de um funcionário judicial para dar apoio no acesso a tão vasto manancial de papéis. Obteve um redondo "não" como resposta. "A justiça está dependente do Poder Político. Só faz o que a deixam fazer", desabafou o magistrado, com uma eloquência que, não me surpreendendo, não deixa de ser assustadora.
Sobretudo porque o mesmo Poder Político que não hesitou em injectar quase cinco mil milhões de euros para salvar o BPN (maldita robustez do sistema bancário!) não é capaz de dispensar uns trocos para melhorar o funcionamento da máquina judicial e, com isso, ajudar a punir aqueles que engordaram a conta bancária à custa de esquemas criativos de contabilidade.
Já que não pode dar-se ao luxo de adquirir 180, que o Governo abra uma excepção e compre ao menos um armário. Para se fechar bem fechadinho lá dentro.
Pedro Ivo Carvalho, in JN
De facto é complicado falar da Justiça sem "estar por dentro". O cidadão comum guia-se pelo "resultado final" e, este, é francamente desolador.
ResponderEliminarFernando,
ResponderEliminaro cidadão comum "guia-se" pelo resultado final e muita contra-informação.
Bom fim de semana
Este povo, do qual eu faço parte, é tramado!
ResponderEliminarHabituou-se a bater na justiça com a mesma facilidade com que bate no governo.
:D
O que eu gostaria é que você não fosse tão teimoso!
ResponderEliminarÉ que existem evidências que o meu amigo se recusa a ver, e está no seu direito, mas citando Orwell:
«Ver aquilo que temos diante do nariz requer uma luta constante»
Não concordo com a sua visão em muitos assuntos, assim como você não concorda com as minhas posições e pontos de vista.
Uma coisa tenho como certa e adquirida é que nutro por si um sentimento, que julgo ser reciproco, que é o de uma jovem, mas grande amizade!
Abraço
Espero vir a acreditar num qualquer governo futuro, tenha a côr que tiver mas cuja acção efectiva nos permita, enquanto povo e País, melhorar consideravelmente.
ResponderEliminarIsto porque nunca fui, nem sou, adepto incondicional de nenhum governo.
Já agora, e em jeito de piada. É previsível a participação de Orwell numa futura constelação política?
:DDD
Adepto incondicional...só do SL e Benfica! :DDD
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