Retratos de um País (de merda)...
“É querer comprar comprimidos e não ter o dinheiro. Andar a poupar, a poupar, a poupar. Hoje tomo, amanhã não tomo. Não é? O dinheiro não chega.” Luísa, 84 anos “O problema é que a gente trabalha muito e ganha muito poucochinho, é só isso.” Julieta, 48 anos, trabalhadora pobre “Foi mesmo por opção minha [não querer contrato nem pagar Segurança Social pelas três horas por semana que faz de limpezas], porque se eu tivesse de fazer descontos e tudo, não ia receber quase nada.” Carolina, 44 anos, trabalhadora pobre “Tenho ido comer à minha mãe. Mas não posso estar a vida toda assim, não é? [E ela pode ajudá-la um bocadinho?] Não, ela está acamada. Ela tem um cancro nos ossos, não anda.” Dália, 59 anos, incapacitada “Vou tentar-me aguentar no rendimento mínimo com a ajuda da Santa Casa até à altura em que me reformar, porque eu já sei que trabalho ninguém me vai aceitar. Na vida profissional, a minha vida está acabada. Se eu com vinte e tal não co...