Filhos(as)...



Filhos... Filhos?
Melhor não tê-los!
Mas se não os temos
Como sabê-lo?
Se não os temos
Que de consulta
Quanto silêncio
Como os queremos!
Banho de mar
Diz que é um porrete...
Cônjuge voa
Transpõe o espaço
Engole água
Fica salgada
Se iodifica
Depois, que boa
Que morenaço
Que a esposa fica!
Resultado: filho.

E então começa
A aporrinhação:
Cocô está branco
Cocô está preto
Bebe amoníaco
Comeu botão. 
Filhos? Filhos
Melhor não tê-los
Noites de insônia
Cãs prematuras
Prantos convulsos
Meu Deus, salvai-o!
Filhos são o demo
Melhor não tê-los...
Mas se não os temos
Como sabê-los?
Como saber
Que macieza
Nos seus cabelos
Que cheiro morno
Na sua carne
Que gosto doce
Na sua boca!
Chupam gilete
Bebem shampoo
Ateiam fogo
No quarteirão
Porém, que coisa
Que coisa louca
Que coisa linda
Que os filhos são!


"Poema Enjoadinho" de Vinícius de Moraes

É certo que dão trabalho, chatices, tristezas, arreliações... mas, também, dão alegrias, orgulho, gargalhadas, lágrimas de alegria e, muitos, mesmo muitos, momentos de uma coisa que se sente mas não se consegue descrever chamada AMOR.

Comentários

  1. Tudo isso sentimos... independentemente da sua idade.
    Boa semana, Ricardo, com muitas alegrias.

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  2. Filhos ... é melhor tê-los. Versão minha diuta com toda a sinceridade.
    Um abraço, Ricardo.

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  3. A realidade deste poema faz-me sorrir e concordo plenamente contigo! Mesmo quando crescem e voam do ninho não te sei explicar a razão, mas sinto quando estão bem ou mal.Já vou na dose dos netos e o Amor aprofunda-se ainda mais e é reviver o passado.

    Beijocas

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  4. Imagina a sua vida sem as suas filhas, Ricardo?
    Nem me passa pela cabeça o que poderia ser a minha vida sem as minhas filhas.
    Já ando nervoso só de pensar que no próximo ano a Catarina deverá sair de Macau para estudar fora.
    Até a minha mulher o diz - "vais ficar que ninguém te atura!"
    Aquele abraço

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