Passaram dois anos, mas não esquecemos!

(Ribeira de João Gomes (imagem do meio onde se vê o estacionamento do meu emprego  - Mercado - Marina do Funchal

Decorreram dois longos - ou breves, não sei -  anos sobre a tragédia que se abateu sobre a Madeira, em particular, no Funchal, Ribeira Brava e Serra de Água da qual resultou o triste balanço de 46 mortos 250 feridos e muitos (cerca de 600) desalojados.

Aquele era mais um sábado de Fevereiro, tínhamos combinado ir almoçar à casa de amigos, mas estava um dia chuvoso, cheio, com muita água a cair do céu - tanta que olhando para o jardim este não dava vazão a tanta água - e como de costume, após o pequeno-almoço de sábado, fui para a WC fazer me barbear, e tomar banho. Na rádio, comecei a ouvir apelos do Presidente da Câmara Municipal do Funchal, e do Comandante da PSP apelando às pessoas para que não saíssem de casa, que se mantivessem onde estavam e se dirigissem a casa o quanto antes.

Telefonei para casa dos meus pais - pois ao Sábado os meus pais vão ao mercado - para saber se estavam em casa, bem como o meu irmão, a resposta foi que estava tudo ok, telefono aos sogros e tudo bem também, foi o descanso. Telefonamos aos amigos a desmarcar o almoço, pois a chuva era de tal maneira diluviana que era impossível sair para onde quer que fosse, e ficamos em casa atónitos a ver e a ouvir o que se passava, via televisão e rádio, com um sentido de impotência enorme.

Perto da hora do almoço, os nossos amigos que residem em Portugal Continental começam a telefonar para saber se estávamos bem, se nos encontrávamos a salvo de tamanha desgraça, e confesso - até ai - não tinha a ideia da dimensão da catástrofe, que era algo de dantesco.

Nessa noite, fui deitar-me com um aperto no coração, com uma sensação de fel na boca que nos ataca quando sofremos um dissabor grande, enorme como este. Via as imagens na tv, e não reconhecia a cidade limpa e bonita que viva, não reconhecia as estradas/ruas que me ligavam ao meu  trabalho, era tudo horroroso demais e catastrófico que era, pura e simplesmente, inolvidável, sordidamente inolvidável.

No dia seguinte,  dirigi-me à cidade e por entre pedras e rochas fui oferecer os préstimos para ajudar a limpar a cidade, confesso que me corriam algumas - muitas - lágrimas ao presenciar tão triste espectáculo, ver sítios por onde havia passado na 6ª feira completamente destruídos, mas ver também que as pessoas tinham em mente uma só coisa, muito nossa muito portuguesa, muito pombalina que era tratar de enterrar os mortos, tratar dos vivos e reconstruir o que fora destruído, e assim foi.

Hoje, decorridos que são dois anos, a Madeira regressa - lentamente - ao normal antes da catástrofe, mas não há nada que nos faça esquecer aquele triste dia 20 de Fevereiro de 2010, isso, meus amigos, é algo que nós madeirenses jamais esqueceremos. 


(Viaduto junto ao meu trabalho)


(Rua do Carmo onde passo quase todos os dias)

Comentários

  1. Não sabia que eras madeirense!Claro que há coisas que é impossível esquecer...Abraço*

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  2. E já passaram dois anos…
    Nós aqui também íamos acompanhando o que se passava. Impensável na altura.

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  3. Não se consegue mesmo esquecer.
    Lembro-me bem das imagens.
    Já hoje recebi um telefonema da Madeira,uma amiga que foi aí passar o Carnaval.
    Beijinhos amigo Ricardo e uma boa semana.


    " Esta parte de provar que não sou um robô é que é chata eheheh"

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  4. Inesquecível.
    Mesmo para quem acompanhou a situação ao longe, pela televisão.

    Um abraço e boa semana.

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  5. Nesse sábado de manhã estávamos em casa. Não tínhamos planos de sair, os meus pais estavam na Serra da Estrela com a Flor. E foram eles que nos avisaram do que se estava a passar, depois da minha tia (em Londres) ter visto a rtp e ligado à irmã, minha mãe. A partir daí ficámos sem luz e telefone por muito tempo, e só à noitinha voltámos a ter contacto com o mundo. E nos apercebemos da dimensão do que se estava a passar. Não tive coragem de ir ao Funchal ver os estragos, mas reuni tanta tanta coisa que era dispensável (edredons, lençóis, mantas, toalhas, comida de bebé, pratos e copos, roupas e calçado de adulto e criança) e fui dar no RG3. Fiz o que podia, muito ou pouco ajudou alguém com certeza.

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  6. Não são só os madeirenses, Ricardo.
    Todos nós.
    Mas, como o Ricardo escreve, "as pessoas tinham em mente uma só coisa, muito nossa muito portuguesa, muito pombalina que era tratar de enterrar os mortos, tratar dos vivos e reconstruir o que fora destruído, e assim foi".
    É pena que, tantas vezes, só nos lembramos dessa nossa característica em momentos de catástrofe.
    E damos demasiada importância a minudências que não deviam ter um pingo da importância que lhes atribuímos.
    Que os que partiram descansem em paz e que os que ficaram se lembrem dessa nossa força enquanto povo, Ricardo.
    Se assim for, não há tragédia ou crise que nos torça!!!
    Aquele abraço

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  7. Uma tragédia com essa dimensão não se esquece nunca, meu querido Amigo!
    Nós sentimos essa dor acompanhando-a de longe.
    O povo madeirense mostrou bem a sua força e capacidade de recuperar das perdas materiais. O luto pelas perdas humanas, esse ficará para sempre.

    Querido Ricardo, muito e muito obrigada pelo carinho expresso no teu comentário.

    Beijinhos.

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